Desapego

Pessoal, tudo bem?

Ultimamente ando meio sem inspiração para produzir alguma coisa e hoje o papo é mais informal. Às vezes tenho algumas mudanças de humor que me fazem parar e pensar as coisas que acontecem na vida. E com certeza, uma das coisas que teria facilitado muito a minha é a tal palavrinha do título dessa postagem. Se você não sabe o que é eu te explico:

Segundo o dicionário Aurélio, desapego é “Falta de apego; desafeição, desamor; desinteresse”. Numa maneira mais elucidativa, entenda que o desapego é o “desprendimento diante das coisas superficiais, das vaidades em detrimento de fatos importantes e que fazem sentido a vida. Saber dividir e compartilhar”.

Eu sempre fui uma pessoa MUITO, mas MUITO apegada a tudo. Desde lembranças da infância, familiares, amigos, relacionamentos, emprego. Sempre tive uma dificuldade enorme em buscar o novo, tentar algo diferente. E isso me deixa um um pouco decepcionado. A frustração por viver neste circulo vicioso de adoração, apego e decepção me irrita.

Talvez seja isso o motivo dessas minhas mudanças de humor. Não sei se isso é um defeito, mas eu costumo a dedicar muito tempo nos relacionamentos com amigos e familiares mais próximos; aquelas pessoas quais julgo serem importantes na minha vida. E muitas vezes, a reciproca não é verdadeira, ou seja, as pessoas não me tratam da mesma maneira. Me considero uma pessoa até certo ponto ingênua, pois tento fazer o possível para ser simpática e/ou agradável, e vejo que não obtenho um tratamento igual.

Pode ser que eu seja muito exigente, mas reparo nos mínimos detalhes. Diversas vezes fiz o possível para ajudar determinada pessoa na dificuldade que ela estava passando no momento, e quando precisei de um pouco daquilo que eu costumo oferecer, eu não vejo interesse. Isso acontece em diversos aspectos da minha vida. Amigos, familiares e também colegas de trabalho. Complicado.

Isso me faz sentir um pouco sozinho. O grande problema do apego é se acomodar no que chamamos de zona de conforto: aquilo que talvez não seja aquilo que você almeja, mas como não há riscos, você acaba tolerando. Mas até que ponto vale a pena se agarrar a essa falsa sensação de segurança que o apego proporciona? Pensando bem, o apego nos faz apoiar em algo “externo”, imaginar que a segurança que sentimos vem daquilo que somos apegados, seja objetos, pessoas ou relacionamentos. Parece que não podemos viver sem eles.

E aí que eu acho que está o grande perigo: isso nos faz ficar a mercê daquilo em que apegamos. Já fui apegado a diversas amizades / relacionamentos em que me causavam mais mal do que bem. Com muita dificuldade, porém, consegui me libertar de alguns desses vícios. É extremamente difícil para mim, por ser uma pessoa introspectiva, a aventura na busca do novo. Porém este ano é um ano que decidi exercitar esse lado “desbravador”.

Por exemplo: confesso que sempre tive vontade de guardar alguma grana para comprar algo, ou ainda só por guardar mesmo. Mas devido ao meu comportamento do tipo “foda-se, vou gastar e to nem aí”, nunca consegui guardar nada. Meu orçamento sempre vivia no limite. Entretanto resolvi que isso era um problema e tentei mudar, tomei algumas medidas para que eu pudesse economizar. Trabalhar de ônibus e comer marmitex ao invés de ir almoçar no shopping foram algumas delas.

O Sérgio de uns 2 anos atrás jamais cogitaria nessa possibilidade, era muito apegado com o meu carro e não gostava de ficar passando vontade, e ia todos os dias comprar chocolate, gastando uma parte do meu orçamento com guloseimas. Sei que é um exemplo besta, mas pra mim, que sou uma pessoa de difícil mudança, já foi algo.

Outra coisa que estou tentando melhorar é em relação ao meu trabalho. A área de TI é uma das áreas mais estressantes  e antigamente costumava a ficar emburrado quando algo era feito da maneira errada (no meu entendimento), e a culpa sempre caía (injustamente) na equipe de desenvolvimento. Eu tentava mudar, brigar para que o projeto fosse conduzido da maneira que achava correto. Já tive altas tretas com meu chefe (e querido irmão) por causa disso. Obs: deixando claro que muitas vezes nem era culpa dele mesmo, e sim de ordens superiores.

Hoje em dia tento ver as coisas de uma maneira mais prática, e por mais que eu saiba que tal coisa possa estar errada, tento não pensar muito além das atividades que estão atribuídas a mim (ter um conhecimento macro sobre tudo aquilo em que você está envolvido é importante, o problema é saber separar isso da vida pessoal, quando esse conhecimento se torna um problema). Também tento demonstrar que nem tudo é possível: nem todo prazo de entrega é possível de ser atingido, ou aquela quantidade de horas é insuficiente. Impor um pouco seu ponto de vista, com bom senso, ajuda.

Em relação a relacionamentos, ainda estou aquém do que gostaria: dedico tempo e atenção para amigos e familiares e não vejo o retorno. Acredito que isso seja um processo mais longo, mas aos poucos vou melhorar.

Um exercício que acho interessante é se imaginar sem essas amarras a coisas / pessoas / objetos. Como seria sua vida sem elas? Você se imagina melhor ou pior?

No seu caso, qual é o seu apego? Gostaria de praticar o desapego? Fica a reflexão!

Um grande abraço.