Panicats, Gerald Thomas e a cultura do estupro

E ai pessoal, tudo bem?

Eu sei que os posts com abordagem mais sérias estão virando regra por aqui; até não queria falar sobre isso, mas não podia deixar de comentar, pois a notícia ainda está fresca.

Não sei se vocês têm acompanhado os portais de internet ultimamente, mas uma noticia em particular me chamou a atenção: o caso do Gerald Thomas e da Nicole Bahls. Em um final de semana recente (não acompanho o pânico), durante a estreia da ex-panicat Nicole Bahls como apresentadora do programa, o escritor (sic) Gerald Thomas teve a infeliz ideia de enfiar a mão nas partes íntimas da moça, criando uma situação extremamente constrangedora, inclusive para o programa Pânico (que só vive disso).

Lendo os comentários nos mesmos sites, vi alguns comentários do tipo:

Ela se veste como puta, teve o que mereceu.

Ou ainda

Essa menina não se dá a o respeito, só vive provocando.

Caro amigo leitor, se você pensa assim, tenho algo pra te dizer: vai tomar no seu cu. Em que lugar da constituição brasileira está escrito que está liberado qualquer ação sexual só porque você se veste de uma maneira em especifico? Uma coisa é você admirar aquela gostosa, outra coisa é achar que porque ela está vestindo uma roupa sexy, ela quer dar alguma coisa com você.

Entendam de uma vez por todas: comentar sobre as gostosas numa roda de amigos é normal. O que não é normal é achar que você tem o direito de invadir a privacidade de alguém por determinado comportamento. Imagine-se na seguinte situação: você, por um acaso, acaba caindo numa praia de negões gays, e você trajando apenas uma sunga. Isso dá o direito a eles a possuírem seu corpo nu? Não né? Então, a regra vale o mesmo para com as mulheres em geral.

Existe no subconsciente da sociedade a cultura de sempre culpar a mulher por qualquer violência de cunho sexual que ela sofra. Que é perfeitamente expressada nas frases que circulam por ai nos portais da vida. Como se o homem fosse um animal irracional que só procura sexo reprodutor (digamos que ainda temos esse instinto).

Outro ponto muito comum relacionado com o tema é a mania de o homem brasileiro mexer com mulher na rua. Cara, se você faz isso, você é um idiota pare. Novamente, se imagine na situação de uma mulher bonita qualquer: você andando pela rua e passa perto de um grupo de gays, que falam: “ai que delicia você cara!”. Eu duvido que você vá gostar! He He He.

Encoxada

No site papo de homem, você encontra vários textos legais sobre o assunto, e na maioria deles as mulheres falam: elas NÃO GOSTAM de serem cantadas na rua. Quando você está andando na rua, seu objetivo é apenas chegar de um ponto a outro. Só isso, sem ninguém encher o saco. Eu repito: olhar e admirar são coisas normais, e TODO MUNDO FAZ. Agora se comportar igual um idiota é OUTRA COISA. Na balada está liberado; presume-se que ali é um lugar que as pessoas vão para paquerar mesmo; mas sempre tem aquele idiota que não percebe que a menina não está afim.

Nesse caso da Nicole em especifico, ouvi falar esse escritor até seria gay, e que tudo não passou de uma brincadeira. Mas essas coisas acontecem todos os dias. Você pode estar pensando: Sheep, você está exagerando!

Será? Numa pesquisa rápida na internet, achei uma noticia de 2012 dizendo que mais de 5.312 casos de violência sexual foram registrados no Brasil. Puta que pariu, é muita coisa! Isso sem falar em outros países, como a Índia, onde a mulher se sair com chinelo rasteirinha é praticamente uma autorização por escrito para possuí-la.

Caros amigos, se comportar com um ser humano racional não dói. Você não vai morrer se você não externar sua vontade de fuder cantar aquela gostosa na rua. Isso não vai fazer você ter mais chances com ela, posso te garantir. Por incrível que pareça, aquela gata não está passando na rua só para te agradar, ela apenas quer chegar ao seu destino. Guarde seus dons da conquista e sedução para baladas ou barzinhos, que são ambientes propícios para isso.

E por hoje é só. Um grande abraço!